Arquivo do mês: julho 2011

Aviso Prévio

A Constituição Federal, no seu Artigo 7º., Inciso XXI, estabelece que todo trabalhador tem o direito a “aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei”.

A nossa Carta Constitucional é de 1988. Desde então esse inciso está pendente de regulamentação pelo Congresso Nacional.

Somente agora, por uma iniciativa do Supremo Tribunal Federal, que estava analisando um pedido de funcionários da Cia. Vale do Rio Doce, o Congresso nacional será declarado omisso por não ter regulamentado este tema e terá que tomar uma atitude a respeito.

Agora é uma nova “novela” que se inicia.

Acredito que teremos mais uns três anos de enrolação, afinal de contas é um assunto que interessa à população como um todo e, sendo assim, não tem porque ser tratado fora de época eleitoral. Quando estivermos próximos da próxima eleição para Deputados Federais e Senadores este tema deverá, finalmente, ser regulamentado.

O aviso prévio terá de ser proporcional ao tempo trabalhado. Primeiro ponto: isso valerá para ambas as partes? Se o funcionário pedir demissão, ele terá que cumprir o mesmo prazo de aviso prévio que a empresa estaria sujeita a indenizá-lo em caso de demissão, proporcional ao tempo que ele tem na empresa. Agora se ele pedir demissão e não quiser cumprir esse prazo, e sim descontar o valor de sua verba rescisória, pode até ficar devendo dinheiro para a empresa, se tiver muitos anos de casa (na prática eu nunca vi uma empresa conseguir receber esse tipo de dívida de um funcionário).

A regra pode prever 30 dias de aviso prévio para cada ano trabalhado; 60 dias; 90 dias; 100 dias; de acordo com o tamanho do “agrado” que nossos queridos congressistas quiserem fazer nos eleitores.

Como sempre, as empresas vão tentar achar uma saída para poder escapar dessa penalização e é aí que podem começar a surgir práticas bastante interessantes.

Vamos analisar algumas possibilidades:

1)      As empresas passam a não mais investir na formação dos funcionários, uma vez que passarão a substituí-los, em média, a cada 3 anos para evitar que os custos de uma possível rescisão tornem-se muito altos com o passar do tempo.

2)      O empresário que tem um funcionário com muito tempo de casa fala com um amigo, também empresário, que procura o funcionário e lhe faz uma oferta irrecusável. O funcionário, então, pede demissão e vai trabalhar na nova empresa. Depois de um mês ele é demitido. O salário dele nesse primeiro mês, mais as despesas de rescisão são “bancadas” pelo dono da empresa anterior.

3)      Passaremos a ter empresas propondo “acordos” com os funcionários, mais ou menos como temos hoje, quando são os funcionários que tentam fazer “acordos” com as empresas para ter os seus saldos do FGTS liberados. Nesse caso a empresa propõe ao funcionário que ele peça demissão e lhe dá alguma compensação “por fora”.

4)      A empresa começa a fazer da vida profissional do funcionário um verdadeiro “inferno”, levando-o a pedir demissão.

O fato é que sempre haverão formas de “driblar” as regras. O desafio para os nossos congressistas é tentar estabelecer essas regras de uma forma que não seja compensador, nem para as empresas, nem para os empregados, a busca por saídas alternativas.


Faculdades

Diariamente eu ouço no rádio a propaganda de uma faculdade cujo nome não faz o menor sentido. Então resolvi fazer uma breve pesquisa e encontrei algumas pérolas espalhadas pelo Brasil:

 

FACEAR – Faculdade Educacional Araucária (Você conhece alguma faculdade que não seja educacional?)

Cesf – Instituto de Ensino Superior Fucapi (Que diabos quer dizer “Cesf” então?)

Iaes – Faculdade do Amazonas (A sigla sugere uma faculdade para surfistas.)

FBNCTSB – Faculdade Boas Novas de Ciências Teológicas, Sociais e Biotecnológicas (Primeira questão do vestibular: Diga a nossa sigla sem gaguejar.)

UNIVERSO – Universidade Salgado de Oliveira (Esse sim é um nome imponente: Onde você estuda? Na UNIVERSO!)

Unifacs – Universidade Salvador (Tudo bem, a sigla não precisa ter nada a ver com o nome…)

UNIFORMG – Centro Universitário de Formiga (Deu vergonhe de completar a formiga?)

UNIUBE – Universidade de Uberaba (Se fosse UNITUBE só teria aula de cinema.)

UEB – Universidade Eletrônica do Brasil (Você estuda onde? Na WWW!)

UNIVERCIDADE – Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro (Nada como uma universidade que tem no nome a essência da qualidade do ensino.)

FIMCA – Faculdades Integradas Aparício Carvalho (Troca o “N” por um “M” para não parecer que vamos “fincar” em alguém!)


Inevitável

No dia 11/01/2011 nós publicamos um texto sobre a cantora Amy Winehouse ( http://migre.me/5lgoW ) onde afirmamos:

“O ano de 2011 deve ser cheio para a cantora, pois se seguirmos a seguinte lógica:
- Jim Morrison – morto por overdose aos 27 anos
- Janis Joplin – morta por overdose aos 27 anos
- Jimmy Hendrix – – morto por overdose aos 27 anos
- Kurt Cobain – suicídio aos 27 anos (notório usuário de drogas)
A Amy precisa correr, pois só restam 8 meses antes que ela complete 28 anos.”

Este final de semana descobrimos que, infelizmente, estávamos certos.
Mais uma artista jovem e extremamente talentosa perde a vida precocemente e entra para o “Clube dos 27”.


Coerência II

Eu acho muito desagradável quando em uma conversa ou discussão alguém tenta me comprar com hipocrisia barata. Sabe aqueles comentários que até podem (eu disse podem) ser verdade, mas o cidadão é completamente incoerente.

Dia desses estava em um bar com amigos, conversa de casal coisa e talz e em meio a comentários diversos, dei aquela estalada cataclismica nos dedos. Eu sei que não faz bem fazer isso, mas não esperava que um amigo fisioterapeuta fosse descarregar uma lição de moral:

“Vc não sabia que os estalos nos dedos influenciam na produção e na composição do líquido interno das juntas, o que pode causar engrossamento, dor, perda de flexibilidade e de força nos dedos???”

Quase levantei e saí. Fiquei sem reação porque o comentário tomou conta da conversa na mesa e eu fiquei com cara de taxo. Até aí, tudo bem, quando então esse mesmo amigo levanta e diz, “Vou fumar”.

E AE MEU??? quer dizer que fumar é que faz bem? A vontade é dizer:

“Vai não!!! Você não sabe que fumar pode causar problemas no coração, sem falar de enfisema pulmonar e até câncer. Não só em você, mas também em todos aqueles que o cercam? Sendo assim, é uma demonstração inequívoca de falta de respeito consigo mesmo e com os demais? Você entende muito de estalar as juntas mas agora quer se matar com essa merda!”

É lógico que eu não fiz isso, mas que deu vontade, deu. Não tenho nada ver com o pulmão bronzeado do cara mas a chamada dele foi de uma incoerência sem tamanho.

Outro dia escutei em uma conversa de café:

“Eu sou fumante! Coisa que eu não entendo é essa lei que inventaram de proibir a gente de fumar em lugares fechados! Temos que sair para fumar fora e nem tem cinzeiro para bater a cinza ou jogar a bituca do cigarro quando acaba! A frente dos bares e restaurantes ficam um nojo! Quando inventam essas leis, tem que fazer a coisa certa! Tem que obrigar os caras a colocar cinzeiros fora dos estabelecimentos!”

Nessa hora eu pensei:

“Ô sua besta! A idéia da lei é que você desista de fumar, e não que você fume fora com todo conforto!”

Mas fumante é uma criatura incoerente por natureza.

Outra situação de incoerência absurda aconteceu no meu trabalho. Recebi um convite para um futebol com o pessoal. Eu sou uma negação para QUALQUER esporte e respondi no ato, “Se tiver como apertar “quadrado” pra passar a bola, tudo bem!”. E lá veio o sermão:

“Vc é dessa geração “Y” que só pensa em computador e esquece da saúde! Vc deveria praticar algum esporte regularmente, correr, fazer academia, jogar futebol”.

Depois de assistir o jogo tive a grata surpresa de ver o Mrs Saúde fumando, bebendo e comendo um pedaço de carne com uma gordura capaz de entupir qualquer artéria!

Desisto!


Escândalos, novidade?

No último dia 17 de julho de 2011 o jornalista Elio Gaspari publicou em sua coluna no jornal O Globo o texto abaixo:

“Dilma roda o mesmo filme de Lula

 O primeiro grande escândalo do governo Lula estourou em fevereiro de 2004, 13 meses depois de sua posse. Custou o cargo a Waldomiro Diniz, subchefe da Casa Civil de José Dirceu. Ele fora filmado num achaque ao tempo em que dirigia as loterias do Rio de Janeiro.

Até o dia em que deixou o Planalto, em janeiro passado, Nosso Guia foi perseguido por escândalos que se sucederam em intervalos regulares.

O governo Dilma Rousseff foi mais veloz. Seu primeiro escândalo estourou cinco meses depois da posse e custou o cargo ao chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.

Um mês depois, Dilma perdeu o ministro dos Transportes e o diretor do Departamento de Infraestrutura e Transportes, o Dnit. (Em julho de 2003, quando Lula tinha sete meses de Palácio, o mesmo Dnit deu-lhe uma pequena crise, com o ex-diretor financeiro acusando o ministro Anderson Adauto de favorecer a empreiteira Queiroz Galvão e sendo acusado de embolsar propinas.)

Deixando-se de lado o varejão da roubalheira, onde ficam contratos de serviços, de publicidade, ou despesas com cartões de crédito, mordomias e viagens, a crônica de nove anos incompletos de governo petista revela que há nele uma engrenagem blindada, metódica e articulada de corrupção.

Não há novos escândalos, há apenas novas erupções, beneficiadas por uma rotina em que uma crise só se exaure quando é substituída por outra, na qual estão personagens que passaram despercebidos na anterior.

O centro dessa rede fica no Palácio do Planalto, ora na Casa Civil, ora na coordenação política, e sempre na coleta e repasse de doações. Quando Waldomiro Diniz foi apanhado, pouca gente sabia quem era Delúbio Soares. (Em janeiro de 2003, o tesoureiro do PT organizou uma festa numa fazenda de Buriti Alegre. Entre os convidados estava o deputado Valdemar Costa Neto, do PTB, atual marquês do Ministério dos Transportes.)

Desde fevereiro de 2004 sabia-se que Delúbio pagava mesadas a deputados do PTB. Entre a crise de Waldomiro Diniz e a seguinte, com o vídeo de um pagamento de propina a um diretor dos Correios passaram-se 15 meses.

Bastaram mais quatro meses para que daí surgisse a palavra que mudaria a História do PT e do comissário José Dirceu: “mensalão”.

O novo escândalo expôs o loteamento, pelo Planalto, de cargos nos Correios, Banco do Brasil, Instituto de Resseguros do Brasil e Furnas, bem como a manipulação, pela Casa Civil, dos fundos de pensão de estatais.

Nos governos anteriores aconteceram episódios semelhantes, mas não tiveram a articulação e a blindagem conquistadas pelo comissariado. Trinta e dois parlamentares acusados de terem participado do “mensalão” e de roubalheiras nas verbas da saúde tiveram um crescimento patrimonial de 32% entre 2002 e 2006.

O “mensalão” ainda não saíra no noticiário quando puxaram-se as pontas da administração do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na prefeitura de Ribeirão Preto. Era mais do mesmo.

Negociando contratos de loterias na Caixa Econômica, Waldomiro Diniz propusera a empresários o serviço da consultoria de Rogério Buratti, ex-secretário de governo de Ribeirão, ex-sócio do chefe de gabinete do ministro da Fazenda.

Incriminado por Buratti, Palocci agonizou durante um ano. Trazido de volta ao Planalto por Dilma, aguentou 23 dias de crise e saiu de cena sem contar quem eram os clientes que o tornaram milionário.

Burattis, Waldomiros, Delúbios, Erenices e até mesmo Pagots foram peças acessórias de uma máquina. Isso pode ser entendido quando se vê como saíram de cena.

Delúbio, reintegrado recentemente à família petista, ensinou: “Faz parte da minha integridade não delatar ninguém”. Na semana passada, o doutor Luiz Antonio Pagot fechou suas oito horas de silencioso depoimento com uma frase: “Sou um leal companheiro”.

O escandaloso enriquecimento de Palocci foi substituído pelas propinas do Ministério dos Transportes. Como acontece desde o caso de Waldomiro Diniz, será esquecido, diante do próximo.”

Lendo esse texto eu me vi voltando no tempo, lá para os meados de 2002, quando eu conversava com alguns amigos, todos petistas “roxos” e era duramente criticado quando eu falava que não ia votar no Lula. Nessa hora eu escutava coisas como: “Você é reacionário! Você não quer mudanças!” Ao que eu sempre respondi: “Vocês sabem qual a única coisa que vai mudar com a eleição do Lula? A única mudança que vai acontecer é que vai sair do governo uma “corja” que já está lá roubando há dezenas de anos, mas rouba uma quantia que já “está no nosso orçamento”, com a qual “já nos acostumamos” e vai entrar uma “corja” nova, que nunca teve a oportunidade de roubar e vai atacar o erário com toda a sede. Esse nova “corja” vai nos roubar de formas como nunca vimos antes na nossa vida e vocês vão se arrepender disso.

Bem, depois dessa sequência “virtuosa” de escândalos, desde que o PT assumiu o governo do nosso país, não apareceu ninguém para me dizer que eu estava errado.

Pena que eles não perceberam isso lá atrás…

Em tempo.

Não achem que eu concordava com a roubalheira dos governos anteriores ao PT, mas no momento em que eu tive a chance de escolher, eu preferia o menor estrago.

E me poupem do discurso da distribuição de renda feita pelo governo do PT, pois ela foi feita à base de endividamento interno e com objetivo puramente eleitoreiro.


Politicamente Correto

O mundo anda muito chato ultimamente. Como se não bastassem todos os problemas: a inflação ameaçando voltar, os escândalos diários de corrupção no governo, a violência, ainda temos que nos preocupar com tudo o que falamos ou escrevemos, pois estamos vivendo sob a égide do Politicamente Correto. O pessoal que prega o Politicamente Correto não é parte de uma turma nova. Na realidade essas pessoas sempre existiram. Como disse o Rafinha Bastos no Nerdcast 264 (http://migre.me/5gSsL), quando foi perguntado se o mundo estava ficando mais chato por conta do Politicamente Correto: “Eu não sei se as pessoas estão ficando chatas ou os chatos estão tendo mais voz!… Acho que esses caras sempre existiram, só que agora eles podem “curtir” no Facebook!”. Esse é o problema. Com as redes sociais, esse fenômeno celebrado por toda uma geração, os chatos também se proliferaram. Eu fico olhando em volta e tento entender. Você não pode fazer uma piada de gordo por que é politicamente incorreto, não pode fazer uma piada de careca por que é politicamente incorreto, não pode fazer uma piada de feio por que é politicamente incorreto. Então eu, que sou gordo, careca e feio devo fundar uma ONG e ficar milionário processando humoristas desatentos. Por ser politicamente correto, querem aprovar uma lei que torna crime o desrespeito aos homossexuais. OK, vamos nessa! Vou propor uma lei que torne crime qualquer desrespeito aos gordos. Outra para os carecas. Outra para os feios. E uma mais especifica, para os gordos, carecas e feios. Eu venho de uma geração que cresceu assistindo Os Trapalhões. Com certeza absoluta, o programa de televisão mais politicamente incorreto que já existiu na televisão brasileira. Quem não teve a oportunidade de ver o programa com o elenco original, procure no Youtube que você vai testemunhar o programa mais preconceituoso e machista jamais produzido. Mesmo assim o meu caráter não foi deturpado por toda essa desinformação, pelo simples fato que eu sou dotado de algo que anda faltando na sociedade atual, que é o “Bom Senso”! Não precisamos de gente chata dizendo o que é certo e o que é errado, ou querendo criar leis para tudo. O que precisamos é de Bom Senso e um pouco de ocupação, para esse pessoal que só é chato porque não deve ter muito o que fazer!


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