Ontem, dia 12/03/12, foi um dia em que eu quase passei a acreditar que o fim do mundo é esse ano mesmo.
No mesmo dia dois grandes bastiões do que há de “melhor” no nosso país renunciaram aos seus cargos. Para eu ter certeza absoluta da chegada do apocalipse só mesmo se o nosso eterno Presidente do Senado Federal tivesse entrado na dança.
Primeiro foi o Sr. Ricardo Teixeira, presidente da CBF pelos últimos 23 anos, que renunciou ao cargo alegando problemas de saúde.
Mais tarde foi a vez do Sr. João Cláudio Derosso, Presidente da Câmara de Vereadores de Curitiba pelos últimos 15 anos, renunciar ao seu cargo.
Então vem a pergunta: O que faz pessoas tão bem sucedidas em suas áreas de atuação, ao ponto de liderarem por anos a fio instituições importantes do nosso país, simplesmente renunciar ao cargo e sair, sem mais nem menos?
A resposta pode ser dada em uma única palavra: Impunidade.
Em ambos os casos as saídas tem por objetivo garantir a impunidade.
Ambos são investigados por suspeitas de irregularidades e desvios de recursos públicos e, por mais uma da inúmeras incoerências da nossa legislação, podem sair tranquilamente pois, uma vez renunciando aos cargos, não podem mais ser investigados pelos seus ex-colegas. E fica por isso.
A situação não é nova.
Alguém lembra do Sr. Joaquim Roriz, que renunciou ao mandato de Senador em 2007 para não perder os direitos eleitorais e se reelegeu? O Deputado José Borba renunciou em 2005 para evitar a sua cassação. E por aí vai…
E as semelhanças entre esses dois personagens não acabam por aí. Em ambos os casos a sucessão já está ocorrendo e no sentido da manutenção do status quo.
No caso de Ricardo Teixeira o sucessor já declarou com todas as letras: “Não há uma nova administração, não existe um novo projeto, o que existe é continuidade”. Uma sequência, segundo ele, ao “estupendo trabalho do presidente Ricardo Teixeira”, “para que a CBF continue nessa trilha do sucesso e acima de tudo da boa administração que está mostrando ao mundo”. Mostrou tanto ao mundo que é a própria FIFA que está acusando-o de desvio de verbas.
No caso de Derosso a situação ainda está indefinida, mas existem muitos seguidores fiéis apresentando-se para a sucessão.
Aquele que, na minha opinião, está sendo uma grata surpresa na Câmara dos Deputados, o Sr. Romário, deu uma declaração muito forte: “Hoje [ontem] podemos comemorar. Exterminamos um câncer do futebol brasileiro. Finalmente, Ricardo Teixeira renunciou a presidência da CBF. Espero que o novo presidente, José Maria Marín, que furtou a medalha do jogador do Corinthians na Copa São Paulo de Juniores, não faça daquele ato uma constante na Confederação. Senão, teremos que exterminar a aids também”. Isto vindo de alguém que esteve nos meandros do futebol mundial por muito tempo deve ter algum valor.
E assim o Brasil segue. De imunidade em impunidade, pavimentando com blocos de ouro a estrada para a sua própria ruína.